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Cérebro-Intestino: A Conexão Que Está Revolucionando a Medicina e a Ciência

Pode acreditar: bactérias e células do seu intestino estão se comunicando com o seu cérebro



Nós somos o que comemos? Acredito que, hoje, é possível afirmar que somos o que digerimos. Neste artigo, quero chamar a atenção para a qualidade da nossa digestão. Em 2002, no livro “O Segundo Cérebro”, o autor Michael D. Gershon narrou que o nosso tubo digestivo é na verdade um cérebro sensível, pensante, emocionável, irritável e magoável. Além de ter memória emocional, é capaz de emitir sinais transmissores ao nosso cérebro, que estão diretamente ligados aos nossos pensamentos e nossa felicidade.


Microbioma


O ecossistema de bactérias que é a chave para uma vida mais plena e saudável


Houve uma época em que nosso sistema digestivo era considerado um sistema corporal simples e comum, composto, essencialmente, por um longo tubo para a passagem de alimentos, que eram absorvidos e, logo depois, excretados. Hoje, com a evolução da ciência e tecnologia médica, as coisas mudaram. Uma das descobertas mais recentes é o microbioma.


Um microbioma descreve a vida em escala microscópica. Os membros de um microbioma são micróbios unicelulares – bactérias, fungos e vírus. Em nosso intestino, vivem 300 espécies, que, ao todo, somam trilhões de bactérias (você não leu errado!). Esses trilhões de microrganismos formam o seu microbioma.


Estes microrganismos vivem em nosso sistema digestivo e desempenham um papel fundamental na digestão dos alimentos, além de auxiliar na absorção e sintetização dos nutrientes. Outra função importante desses micróbios inclui programar o sistema imunológico, fornecendo nutrientes para nossas células e impedir a sua colonização por bactérias e vírus nocivos.


No correr da vida, a composição e, consequentemente, o funcionamento do microbioma podem sofrer influências de diferentes fatores: ambiente, estresse, alimentação e uso de antibiótico e anti-inflamatório.


Modificações ambientais e alimentares constituem dois fatores externos e modificáveis que interferem na dinâmica de populações bacterianas. E frente à todas essas interferências, todo nosso corpo sofre, e nem sempre o problema é no local que sentimos, mas sim em nossa digestão. Como no caso das manifestações extraintestinais da SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL.


Alterações no microbioma podem causar a Síndrome do Intestino Irritável


A Síndrome do Intestino Irritável é uma condição mais grave do que o nome sugere. A SII surge quando pequenas aberturas aparecem entre o intestino e a corrente sanguínea, permitindo que toxinas, partículas de alimento não digeridas e outras substâncias nocivas invadam o microbioma. Essa condição é chamada de LEAKY GUT. Mas o que seria Leaky Gut ou, traduzindo, Intestino Gotejante? Um relatório publicado pelo “Journal Frontiers in Immunology” descreve a sua patologia:


“O revestimento epitelial intestinal, juntamente com os fatores secretados a partir dele, forma uma barreira que separa o hospedeiro do ambiente. Em condições patológicas (como alto nível de estresse), a permeabilidade do revestimento epitelial pode ser comprometida, permitindo a passagem de toxinas, antígenos e bactérias no lúmen para entrar na corrente sanguínea, criando um “intestino permeável.”


Quando você tem um intestino gotejante, certas partículas minúsculas que nunca devem entrar na corrente sanguínea começam a atravessá-la. Há também anormalidades comuns no intestino decorrentes de moléculas antimicrobianas, imunoglobulinas e atividades de citocinas. Isso representa um grande problema, já que a grande maioria do seu sistema imunológico é encontrada dentro do intestino.


O resultado? Um rompimento da inflamação aguda e, às vezes, reações autoimunes. Uma parte normal de sua resposta imunológica que serve para combater infecções e doenças acaba tendo um desempenho exagerado, levando à inflamação crônica, que está na raiz da maioria das doenças.


Abaixo, explico mais algumas das causas da Leaky Gut.


Predisposição genética – Alguns estão mais predispostos a desenvolver SII porque são sensíveis a fatores ambientais que “acionam” seus corpos para iniciar respostas autoimunes.


Sobrecarga de toxinas – Antibióticos, pesticidas e água da torneira são o que há de pior para o desenvolvimento de SII.


Má alimentação – Dietas que incluem alérgenos e alimentos inflamatórios, como grãos sem germinação, muito açúcar, óleos refinados, aditivos alimentares sintéticos e produtos lácteos contribuem para o desenvolvimento da SII.


Desequilíbrio bacteriano – também chamado de disbiose, que significa um desequilibrio entre espécies benéficas e prejudiciais de bactérias em seu intestino.


De acordo com uma revisão de 2014 dos fatos e pesquisas sobre a permeabilidade intestinal (entre outras fontes), a condição crônica de hiperpermeabilidade está ligada a inúmeros sintomas e condições de saúde.


Quais são os sintomas do intestino gotejante?


Alguns dos sinais mais proeminentes incluem:


  • Úlceras gástricas

  • Diarréia infecciosa

  • Doenças inflamatórias intestinais (Crohn, colite ulcerativa)

  • Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado (SIBO)

  • Doença celíaca

  • Câncer de esôfago e colorretal

  • Alergias

  • Infecções respiratórias

  • Condições agudas de inflamação (sépsis, SIRS, falência múltipla de órgãos)

  • Condições inflamatórias crônicas (como artrite)

  • Distúrbios da tireoide

  • Doenças metabólicas relacionadas à obesidade (fígado gordo, diabetes tipo II, doença cardíaca)

  • Doenças autoimunes (lúpus, esclerose múltipla, diabetes tipo I, Hashimoto e outros)

  • Doença de Parkinson

  • Síndrome de fadiga crônica

  • Propensão para ganho de peso ou obesidade



O que a comunidade médica tem a dizer sobre a Síndrome do Intestino Irritável?


A maioria dos médicos convencionais apoiam a ideia de que o intestino gotejante é real?

O WebMD (uma das principais editoras on-line do mundo quando o assunto é saúde e bem- estar humano) se refere ao intestino solto como “um mistério médico”. Isso não é surpreendente, já que não é um diagnóstico que a maioria dos médicos foi ensinada na faculdade de medicina. “Do ponto de vista do gastroenterologista Donald Kirby, diretor do Centro de Nutrição Humana da Cleveland Clinic, essa é uma área cinzenta”. — Na sua opinião, “os médicos não sabem o suficiente sobre o intestino, que é o nosso maior órgão do sistema imunológico.”


Para piorar as coisas, as agências governamentais também contribuíram para a confusão. De acordo com o Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, “atualmente existem poucas evidências para apoiar a teoria de que um intestino permeável é a causa direta de quaisquer problemas significativos e generalizados”.


No entanto, nem todos concordam. Uma revisão de mesa redonda cita os pesquisadores em sete diferentes universidades europeias em 2014, concordando com o seguinte:


A alteração da barreira intestinal parece ter múltiplas consequências, facilitando o aparecimento de uma variedade de doenças, dependendo de outros acertos e de constelações genéticas ou epigenéticas, respectivamente. O crescente significado da barreira intestinal e da translocação bacteriana levanta questões sobre como podemos melhorar as funções de barreira intestinal e a microbiota intestinal.


Como você avalia o intestino inflamado?


Vários testes de SII estão disponíveis, podendo ajudar a confirmar um diagnóstico e apontá-lo na direção correta do tratamento. Os testes são úteis para identificar sensibilidades específicas e descobrir quais tipos de toxinas ou deficiências estão contribuindo para seus sintomas. Os testes intestinais com auxílio incluem:


  • Testes de zonulina ou lactulose

  • Teste de intolerância alimentar IgG

  • Testes de fezes

  • Testes de vitamina e minerais no ácido orgânico

  • Teste de manitol de lactulose


Importante levar em consideração que nenhum exame laboratorial substitui uma boa anamnese. Ouvir seu paciente/cliente, é para mim, sempre a primeira opção.


Os passos básicos para tratar intestino gotejante são os seguintes:


  • REMOVA alimentos e fatores que danificam o intestino.

  • SUBSTITUA estes com alimentos curativos enquanto você segue uma dieta anti-inflamatória intestinal. Dica básica: retire todos os alimentos industrializados, quanto maior a validade, pior é o alimento.

  • REPARE o intestino com suplementos específicos que auxiliem no reequilíbrio da sua capacidade digestiva, como o uso de enzimas, probióticos, ômega 3, glutamina e colágeno.

  • REEQUILIBRE seu microbioma com probióticos (bactérias benéficas). Isso é fundamental porque as bactérias em seu intestino são um componente importante da barreira intestinal. Eles ajudam a promover a resistência à colonização de espécies de bactérias nocivas ou patogênicas competindo por nutrientes. A microbiota intestinal também regula a digestão e a absorção de nutrientes e ajuda a fornecer energia às células epiteliais.



Se você sofre de algum sintoma gastrointestinal, encorajo-o a consultar seu médico sobre as opções de tratamento. Muitos dos meus pacientes têm visto melhorias quando se ajustam a uma alimentação anti-inflamatória e entendemos como o alimento se comporta em seu corpo, de forma individualizada. Encare o alimento como seu medicamento, para isso você precisa conhecer a causa e não apenas tratar os sintomas. Uma boa avaliação é essencial. Procure um profissional onde você estabelece vínculos e desenvolva confiança, esse é um ponto fundamental para o segredo de qualquer tratamento de sucesso.

Fontes:

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